domingo, 2 de novembro de 2008

VIVER EM ATENÇÃO



Escrita por Elisabeth Cavalcante
Manter um estado permanente de atenção sobre o que acontece em nosso interior é a única forma de fazer com que a vida não seja apenas uma repetição monótona de problemas e aborrecimentos.As escolhas que fazemos a cada instante é que definem como será nossa realidade. Muitas pessoas se queixam de situações-problemas que sempre estão ocorrendo em seu cotidiano. O que elas não conseguem perceber é que, de alguma forma, estão atraindo tais circunstâncias para suas vidas.Ao invés disto, acusam Deus, o destino ou alguém em particular, como responsáveis por suas mazelas. É difícil para elas tomar consciência de que suas dificuldades são, em sua grande maioria, conseqüência de problemas emocionais ignorados por muito tempo.O autoconhecimento, uma palavra hoje tão difundida, ainda é um mistério total para a maioria das pessoas. Elas são verdadeiras estranhas para si mesmas e vão vivendo de modo automático, sem se dar conta do quanto poderiam ganhar em felicidade e harmonia interior, se ousassem viver em sintonia com seu coração.É claro que para isto, é preciso que se esteja disposto a pagar o preço necessário por cada escolha realizada. Este é, aliás, o principal atributo da maturidade, o responsabilizar-se pelas próprias escolhas. Muito mais cômodo é seguir a instrução de alguém, para poder responsabilizá-lo se algo der errado.Muitas vezes, a observação de si mesmo não revela coisas bonitas, ao contrário, expõe fragilidades e limitações difíceis de serem encaradas. Mas somente aceitando-as com sinceridade é que podemos nos libertar de suas amarras e construir um novo caminho, a partir de escolhas mais realistas.As ilusões, fantasias e desculpas que criamos para adiar as transformações necessárias em nós são infindáveis, e podem mesmo nos levar a uma vida inteira de sofrimento, pela incapacidade de dar o primeiro passo.Mas, por mais difícil que seja dar este passo, devemos nos lembrar de que ele pode ser a diferença entre uma vida de realização e alegria ou uma existência que se arrasta tristemente até o túmulo. Cabe a nós, e somente a nós, esta decisão. "É muito difícil encontrar um mestre iluminado, pela simples razão que muito poucas pessoas pelo menos tentam sair da rotina da inconsciência. A rotina de se permanecer inconsciente é muito confortável, é aconchegante, porque ela mantém você confinado ao mundo familiar, e mantém você com a massa. É muito arriscado se afastar da massa, porque a massa nunca perdoa uma pessoa que sai de perto dela. A massa quer possuir você, completamente, de corpo e alma. A massa quer dominar você, a massa vive através da dominação. Este esforço para dominar, é o que a política significa. Política significa a massa tentando dominar o indivíduo, destruir o indivíduo. Destruir a liberdade, destruir a espontaneidade e qualquer idéia de ficar no seu próprio caminho. De qualquer idéia de viver a sua vida de acordo com a sua própria luz.A massa quer que você siga a mente coletiva. A massa já fez um longo caminho, uma super auto-estrada, você só precisa entrar na fila. E de uma certa forma é mais confortável, é aconchegante, você está do lado de pessoas... é quente. Quando você se move sozinho, para dentro da floresta profunda, densa e escura do desconhecido, é frio. E existem milhares de medos que podem vir à tona.Você não sabe como cooperar com o desconhecido. Você é eficiente em cooperar com o conhecido. O teu sistema de educação o torna capaz de cooperar com o conhecido. Sua educação é desenhada contra o desconhecido. Você vai se surpreender em saber que a sua educação é contra a inteligência. Sociedade precisa de imitadores. Ela quer que você seja bom em memorizar. Não em tornar-se inteligente. Ela quer que você se torne uma boa máquina, não uma pessoa linda.Máquinas eficientes, apenas máquinas de qualquer forma. Precisa que você funcione bem, mas ela não quer que você se torne consciente. Consciente de si. Consciente de quem você é. Então você começa a dizer 'não' para muitas coisas.. quando você souber quem você é, você não será tão obediente assim.A sociedade quer pessoas cegas, porque se você ver, você está fadado a ser afetado por seu ver, a mudar as suas formas, os seus caminhos. A sociedade quer seguidores cegos. Portanto é muito raro que uma pessoa se torne acordada; a primeira coisa para se tornar um buda, é sair da mente coletiva. Se tornar tão individual, tão integrado, que mesmo todo o mundo estando contra você, você não se importa. Você decidiu que agora você vai viver de acordo com a sua própria voz interior, com seu próprio silêncio.Esse é o primeiro passo... mas um grande passo. Um salto quântico. É mover-se para dentro do perigo, é arriscado. Você vai criar inimigos. E você vai estar indo para um mundo que ainda não foi mapeado. Um território no qual você nada sabe a respeito. Não existe nenhum mapa".Osho

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

ANSIEDADE

O ser humano normal é dotado de um equipamento psico-biológico suficiente para fazê-lo sentir ansiedade diante de situações específicas e que exigem uma atitude mais incisiva e imediata, entretanto, assim que tal situação se resolve, tudo voltará ao normal fisiologicamente.
Porém, para algumas pessoas ansiedade é algo incontrolável e não deixa de existir, simplesmente, quando a situação que a deveria causar ansiedade deixa de exisitir.
O ansioso sente um medo, apreensão e tensão constante, além do normal. Muitas vezes existe uma razão concreta para a pessoa estar reagindo à vida com ansiedade, como por exemplo, quando há estresse provocado por algum acontecimento externo ou conflito interno, quando há alguma doença em curso, uma emergência de vida, etc. Mas, existem situações de ansiedade onde não se detecta nenhum motivo aparente, inclusive nenhuma doença física que possa justificar esse estado emocional, nenhum acontecimento estressante.
Nesses casos sem razão aparente, os sintomas da ansiedade surgem espontaneamente, muitas vezes sob a forma de ataques de ansiedade, ataques de pânico, fobias, transtorno obsessivos, somatizações e doenças psicossomáticas.
Dependendo da forma como essa ansiedade patológica se apresenta nesta pessoa, ela poderá se mostrar ora hipocondríaca, ora evitando freqüentar lugares onde possa se ver em situações de pânico, pode ser inclinada a usar álcool para aliviar a sensação de insegurança, enfim, pode apresentar algum comprometimento de seu modo de vida. ansiedade. A ansiedade pode se apresentar de várias formas.
Mas, como o assunto é demais importante, há também uma completa descrição do tema em DSM.IV e no CID.10, duas classificações internacionais de doenças. No DSM.IV o assunto é dividido da seguinte maneira:
1. Agorafobia Ataque de Pânico2. Transtorno de Pânico Sem Agorafobia3. Transtorno de Pânico Com Agorafobia4. Agorafobia Sem História de Transtorno de Pânico5. Fobia Específica 6. Fobia Social7. Transt. Obsessivo-Compulsivo8. Transt. de Estresse Pós-Traumático 9. Transt. de Estresse Agudo10. Transt. de Ansiedade Generalizada11. Transt. de Ansiedade por uma Condição Médica Geral12. Transt. de Ansiedade Induzido por Substância13. Transt. de Ansiedade Sem Outra Especificação.
Portanto, não se pretende aqui discorrer sobre detalhes do tratamento da ansiedade, já que ela se compõe de vários estados emocionais clinicamente diferentes mas, sobretudo, ressaltar as linhas básicas do tratamento geral e, posteriormente, o leitor poderá consultar separadamente o texto específico para cada tipo de transtorno ansioso.
Na ansiedade sob a forma de Síndrome do Pânico, a pessoa tem crises onde começa a apresentar um pavor exagerado de passar mal, perder o controle, morrer de repente, não poder ser socorrido, enfim, medo de sofrer alguma coisa grave que se manifesta em determinadas situações. Essas crises normalmente são acompanhadas de palpitação, sudorese e mal-estar, etc.
Outra forma de ansiedade é a chamada Ansiedade Generalizada, onde a pessoa está continuadamente desesperada, aflita, assustada e inquieta, sempre achando que alguma coisa de mal vai pode acontecer com ela, com seus filhos...
A ansiedade também pode se manifestar através de sintomas Obsessivo-compulsivos. Nessa situação, a pessoa é invadida por pensamentos torturantes, exigentes, absurdos e desagradáveis, conseqüentemente ela repete várias vezes o mesmo ato impulsivamente para tentar aliviar-se dos pensamentos. É o caso das pessoas que conferem várias vezes se fecharam o gás do fogão, a porta da casa, são pessoas que lavam as mãos várias vezes e continuam achando que as mãos ainda estão sujas, pessoas que se preocupam exageradamente com a simetria das coisas, etc.
Outras pessoas expressam suas ansiedades através de Fobias. São conhecidas várias formas de fobias, como a claustrofobia (medo de lugares fechados), agorafobia (medo de sair de casa e ficar em público), fobias sociais (como o medo de ser ridicularizado em público) e outras.
Além dessas formas de ansiedade, a pessoa também pode passar por algum trauma e continuar sentindo todo o mau estar mesmo depois do problema ter acontecido. Esse tipo de ansiedade é conhecido como Estresse Pós-traumático, que pode aparecer logo após a pessoa ter sofrido um trauma e persistir até 6 meses depois. A pessoa passa a reviver o trauma repetitivamente, ter insônia, pesadelos, dificuldade para se concentrar, entre outros sintomas.
AnsiedadeO tratamento pode variar conforme o tipo de ansiedade, entretanto, o conceito do tratamento deve ser sempre o mesmo. Isso significa que não nos preocupamos, exatamente, com a existência do tipo de Transtorno da Ansiedade em si, mas com o por quê esse determinado paciente é portador dessa doença.
E qual seria o conceito básico a termos em mente para o tratamento de qualquer tipo de Transtornos de Ansiedade? Primeiro, é importante ter uma boa noção do fenômeno da ansiedade em si, em seguida do estresse. Toda ansiedade tem início quando o indivíduo toma contacto com um agressor psicossocial. Ora, então o problema da ansiedade patológica só pode ser devido à:
1. O estressor é maior que a capacidade de adaptação da pessoa;2. O estressor persiste por muito tempo e esgota a capacidade da pessoa se adaptar;3. A sensibilidade da pessoa está temporariamente muito acentuada, a ponto de transformar fatos corriqueiros em fatos estressantes;4. A pessoa tem um traço de personalidade capaz de superestimar fatos cotidianos como se fossem fatos estressantes;5. Uma combinação de mais de um desses fatores.
Assim sendo, o tratamento deve ter em mente o seguinte:
Objetivos do tratamento para Ansiedade
1. Diminuir os sintomas mórbidos para o pacientes readquirir a indispensável sensação de segurança;2. Fortalecer a sensibilidade (afetividade) da pessoa para ser capaz de suportar melhor os estresses da vida;3. Procurar resolver seus conflitos íntimos;4. Se possível, lidar com os estressores.
A ansiedade que se manifesta por Fobia, por exemplo, é um caso típico da tensão emocional desencadeada por estressores provenientes do meio ambiente (objetos, situações, animais, etc) que traumatizam um organismo exageradamente sensível, portanto, suscetível à ação mórbida de tais estressores.
Nos casos das fobias, além da terapia medicamentosa, também as psicoterapias comportamentais e cognitivas são de grande valor. Enquanto os medicamentos minimizam os sintomas, reforçam a segurança pessoal e melhora a auto-estima, corrigem desequilíbrios orgânicos, a psicoterapia busca promover uma conscientização da situação e uma dessensibilização sistemática (adaptação ou superação) da pessoa diante da situação que lhe causa o estresse. Pretende-se que a pessoa vá, aos poucos, aprendendo a relaxar e controlar-se diante daquela situação que lhe causa ansiedade.
Para os casos de Pânico estão indicados os ansiolíticos, antidepressivos e, igualmente, a Terapia Cognitiva-Comportamental. A grande maioria dos casos de Pânico são beneficiados com o uso de antidepressivos.
Também no Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), a farmacoterapia associada à terapia comportamental e cognitiva é considerado tratamento ideal. Infelizmente o TOC não mostra ainda um bom prognóstico terapêutico, apesar desses esforços. É, de fato, uma doença grave e a maioria dos pacientes apresenta apenas uma resposta parcial ao tratamento. Por este motivo tem sido quase unânime a recomendação de que se utilize simultaneamente o tratamento medicamentoso e psicoterápico.
Portanto, como veremos nas páginas específicas para cada tipo de Transtorno Ansioso, o conceito básico do tratamento é melhorar a afetividade do paciente, conseqüentemente, melhorar a auto-estima, a sensação de segurança, de confiança e de otimismo. Vem desse conceito a tendência moderna em tratar-se todos os casos de Ansiedade com antidepressivos, associados ou não aos ansiolíticos.
A combinação de farmacoterapia e psicoterapia tem sido a melhor opção para tratamento do Transtorno de Ansiedade Generalizada.
Farmacoterapia Benzodiazepínicos - Ansiolíticos
Os medicamentos que a medicina dispõe para debelar um estado de ansiedade são os chamados ansiolíticos, que agem de forma semelhante aos analgésicos para a dor, os antitérmicos para a febre, antiinflamatórios para inflamações, e assim por diante.
Os benzodiazepínicos foram, no passado, e continuam sendo ainda muito utilizados como tratamento da Ansiedade Generalizada. Em nossa opinião pessoal, sua ação é muito mais sintomática que terapêutica, propriamente dita. No entanto, não se pode, absolutamente, prescindir de sua utilização para o alívio imediato dos molestos sintomas da ansiedade.
Algumas pessoas, não se sabe bem porque, recusam-se a tomar ansiolíticos para a ansiedade aguda (patológica), mas fazem uso generoso de quaisquer dos exemplos citados acima, e mais anticoncepcionais, anti-hipertensivos, anti-diabéticos, etc... Talvez seja porque acreditem, num lampejo de superioridade em relação aos demais, que podem "controlar" a ansiedade patológica. Seria bom conseguirem, daí o próximo passo seria melhorar a miopia e o reumatismo através da força do pensamento positivo.
Mas, idéias à parte, os medicamentos chamados ansiolíticos se referem, de modo geral, aos Benzodiazepínicos. Esses medicamentos são utilizados nas mais variadas formas de ansiedade e, infelizmente, sua indicação não tem obedecido, desejavelmente, a determinadas regras. Não se tratam de poderosos medicamentos antineuróticos, antipsicóticos ou antiinsônia, como podem estar pensando muitos clínicos e pacientes. Eles são apenas ansiolíticos, ou seja, resolvem as crises de ansiedade aguda.
A melhor indicação para os Benzodiazepínicos são nos casos onde a ansiedade NÃO faz parte da personalidade do paciente, como uma característica sua, ou ainda, para os casos onde a ansiedade NÃO seja secundária a algum outro distúrbio psíquico, como por exemplo, depressão. Resumindo, os ansiolíticos serão bem indicados quando a ansiedade patológica estiver muito bem delimitada no tempo e com uma causa bem definida, ou seja, começou em uma época definida ou depois de algum acontecimento. Mesmo assim, prefere-se associá-los a outros medicamentos, como por exemplo, aos antidepressivos.
Naturalmente podemos nos valer dos Benzodiazepínicos como coadjuvantes do tratamento psiquiátrico, quando a causa básica da ansiedade ainda não estiver sendo prontamente resolvida. No caso, por exemplo, de um paciente deprimido e, conseqüentemente ansioso, os Benzodiazepínicos podem ser úteis enquanto o tratamento antidepressivo não estiver exercendo o efeito desejável. Trata-se, neste caso, de uma associação medicamentosa provisória e benéfica ao paciente. Entretanto, com a progressiva melhora do quadro depressivo não haverá mais embasamento para a continuidade dos Benzodiazepínicos.
Existem benzodiazepínicos com forte capacidade sedativa e outros com quase nenhuma. Nessa escala encontra-se em primeiro lugar, quanto a capacidade sedativa o Clonazepam (Rivotril®) e o Lorazepam (Lorax®, Mesmerim®) e com menor sedação o Clordiazepóxido (Psicosedim®) e o Alprazolam (Frontal®). O representante mais tradicional dos benzodiazepínicos é o Diazepam (Valium®, Diempax®), com alta capacidade sedativa e ansiolítica (veja tabela abaixo).
A opção para esse ou aquele tipo de benzodiazepínico depende da sintomatologia, da concomitância de insônia e das atividades cotidianas do paciente, tendo-se em conta que os sedativos são limitantes da atividade ocupacional. Na prática, tem se constatado que os benzodiazepínicos mais sedativos são, por conseguinte, aqueles que mais probabilidade têm de desenvolver dependência com o uso prolongado.
ANSIOLÍTICOS BENZODIAZEPÍNICOS DISMPONÍVEIS NO BRASIL
nome químico
nome comercial
Alprazolam
Apraz, Frontal, Tranquinal, Altrox
Bromazepam
Lexotam, Deptran, Somalium, Sulpam
Buspirona**
Ansitec, Bromoprim, Buspanil, Buspar
Clobazam
Frizium, Urbanil
Clonazepam
Rivotril, Clonotril
Clordiazepóxido
Psicosedim
Cloxazolam*
Olcadil, Elum
Diazepam
Diazepam, Noam, Valium, Ansilive, Kiatrium
Lorazepam*
Lorax, Lorium, Mesmerim

*-ansiolíticos usados também como hipnóticos devido a grande sonolência e sedação. **- considerado ansiolítico não-benzodiazepínico
AntidepressivosOs antidepressivos são, segundo a maioria dos autores, os medicamentos mais utilizados quando se suspeita que um componente depressivo esteja acompanhando o quadro ansioso (o que quase sempre acontece).
Entretanto, tendo em vista a maior demora para a ação terapêutica dos antidepressivos, normalmente eles são associados aos ansiolíticos benzodiazepínicos no início do tratamento. Entre os antidepressivos a serem associados aos benzodiazepínicos para o tratamento dos quadros ansiosos tem-se preferido aqueles com menor potencial de causar mais ansiedade ainda ou, preferentemente, aqueles que até proporcionem algum efeito ansiolítico.
Para associação com ansiolíticos, dos antidepressivos mais tradicionais a Amitriptilina (Tryptanol®, Amytril®) estaria bem indicada e, da nova geração de antidepressivos, a preferência seria para a Mitazapina (Remeron®), a Venlafaxina (Efexor®) e a Paroxetina (Aropax®, Pondera®).



para referir:Ballone GJ - Tratamento da Ansiedade -in. PsiqWeb, Internet, disponível em http://www.psiqweb.med.br, revisto em 2007

PROBLEMAS CONJUGAIS

Escrita por Armando Correia de Siqueira Neto
Dos variados problemas que afetam a vida conjugal, destaca-se, neste artigo, a precariedade do vínculo afetivo. Ele nasce na formação da personalidade, na infância. Caso a pessoa não tenha formado um grau satisfatório de vínculo, encontrará dificuldades posteriormente nas relações que mantiver. Por força do encanto exercido no período de namoro entre duas pessoas, vários comportamentos ficam ocultos.
Na rotina do relacionamento eles emergem, incluindo a dificuldade de manter o vínculo afetivo, causando a Síndrome do Comportamento de Hospedagem. Ela vai distanciando o casal através de comportamentos independentes ao extremo. A pessoa exerce os papéis cotidianos normalmente, todavia, demonstra frieza e comporta-se como um hóspede dentro de casa. Neste caso, especificamente, a precariedade vincular é a causadora deste comportamento, visto ser difícil para o seu portador manter um contato afetivo que ele próprio não pode oferecer.
A tendência da síndrome é gerar um conflito pessoal e, conseqüentemente, no casal, que pode acabar se separando. A conversa conjugal é capaz de abrir a primeira porta para a identificação desta síndrome, bem como buscar ajuda especializada, objetivando a melhora pessoal e uma vida conjugal qualitativa com psicoterapia.
Palavras-chave: incompatibilidade, vínculo afetivo, separação, maturidade e psicoterapia.
Quando as dificuldades no relacionamento humano são percebidas, um termo usual para definir estas circunstâncias é a "incompatibilidade de gênios". Segundo Michaelis (2000) o termo incompatibilidade quer dizer: Qualidade de incompatível, que, a seu turno é: Que não pode existir juntamente com outro ou outrem. Ainda, que não pode harmonizar-se. E, gênio, significa: Espírito benigno ou maligno que acompanha a pessoa desde o nascimento até a morte. Ou, modo de ser de cada pessoa.
Nas relações humanas, sobretudo na vida conjugal, observam-se comportamentos variados. Inicialmente, evidencia-se o poder do envolvimento e o êxtase exercido pela atração das partes que se conhecem. Conforme Moraes (2003) escolhemos os nossos pares pelo comportamento aparente. E, aquilo que queremos para nós depositamos nesse outro. Durante o período de namoro não nos permitimos ver, realmente, quem ele é. Com a chegada da rotina no relacionamento torna-se possível conhecer a pessoa como ela é de verdade. Então, começam a surgir os problemas, haja vista o fato de iniciar-se uma intolerância com relação aos defeitos do outro.
Há uma considerável lista de fatores que contribuem para as dificuldades conjugais. Dificuldades financeiras, diferenças de educação, formação profissional, estilo de vida e objetivos (ambição, posição social, etc). Problemas sexuais: da ordem orgânica e psíquica. Infidelidade. Itens pertinentes à estética: beleza física, idade, etc. Nascimento de filhos ou a sua saída de casa com a maioridade. Questões relacionadas à personalidade tais como a introversão (presente em pessoas mais reservadas) e extroversão (presente em pessoas que se expõem mais socialmente) e problemas psicológicos. Diferenças de credo e fé.
Alguns itens desta relação de componentes desfavorecedores na relação a dois, inversamente, pode servir de complemento para determinados casais. Deste ponto de vista, têm-se pontos favoráveis e complementares na relação. Ou seja, não há uma regra universal para determinar quais são os fatores que levam a separação de casais. Contudo, a vontade de se cuidar para o outro e tentar compreendê-lo estimula o interesse pela união.
Existe uma complexidade em se entender o ser humano individualmente, quanto mais na relação com o outro. Podemos classificar algumas situações de separação de casais ao empregar termos generalistas como a incompatibilidade de gênios ou as dificuldades sociais comuns. Entretanto, o que será descrito a partir deste ponto é sobre a estrutura de personalidade e seus problemas, relacionada à formação de apego afetivo.
Desde bem pequenos os seres humanos têm a necessidade de cuidados por parte de outrem. Durante o período de formação da personalidade existem algumas circunstâncias fundamentais a serem desenvolvidas. O vínculo afetivo é um elemento primordial nesta categoria. Ele é básico. Do latim, vinculum: atadura, laço, aquilo que une.
Vínculo Afetivo (veja na coluna ao lado)Maturana e Rezepka (1999) ressaltam a dinâmica emocional que envolve as pessoas, fazendo-as preservar a dinâmica relacional amorosa da infância na vida adulta como referência a respeito das transformações corporais e relacionais, resultando no ser humano que somos.
Ao observar os conceitos sobre o vínculo afetivo, bem como as suas implicações no ser humano, é possível prospectar formas favoráveis e desfavoráveis de relacionamento ao longo da vida. Se a formação da personalidade de uma pessoa contar com a existência de um vínculo precário, torna-se incompatível a existência de um relacionamento conjugal. Em relatos clínicos obtêm-se históricos onde o marido ou a esposa não tiveram essa formação vincular com os seus pais. Posteriormente, na vida a dois, encontram dificuldades em manter o relacionamento por falta desta condição vincular.
Muitos obstáculos nas relações humanas estão ligados a esta precariedade de vínculo. O casal não consegue perceber este tipo de deficiência em seu relacionamento. Focaliza os problemas em outras questões, ou ainda, prefere nem tocar no assunto. Há casos em que ignora a possibilidade de lançar mão de uma psicoterapia. E, existem situações em que a resistência impera. Fato comum é dizer que não se precisa de tratamento algum, pois que as dificuldades são de outra ordem. Todavia, perde-se a chance de resolver na causa os efeitos de uma convivência difícil.
Nestes casos, especificamente, onde houve uma deficiência na formação de vínculo e as decorrências comprometem os relacionamentos subseqüentes, denominar-se-á Síndrome do Comportamento de Hospedagem ou SCH.
No relacionamento de um casal onde há a presença da SCH, quando entra na rotina da convivência, faz surgir um novo tipo de comportamento. Ele é extremamente prejudicial. A pessoa age, inconscientemente, de forma semelhante a um hóspede dentro de sua casa. Realiza as suas atividades comuns. Mantém a comunicação e os hábitos rotineiros, inclusive os financeiros.
No entanto, a sua forma de ser e estar apresentam um novo item: a frieza ocasionada pelo distanciamento. Aos poucos vai agindo como se fosse alguém que está hospedado na casa, cumprindo com alguns papéis pertinentes, todavia, trata as questões, antes parcimoniosas, de forma independente. Deixa as responsabilidades, sobretudo as domésticas, para o outro cuidar. Onde havia uma atmosfera de cordialidade e doçura, passa a existir um espectro de isolamento e pesar. O outro vai percebendo, sensivelmente, as diferenças no tratamento recebido e acaba por se sentir, pouco a pouco, só. A sensação deste isolamento origina-se na forma pela qual a ausência do vínculo se manifesta nesta relação.
As discussões passam a existir com uma freqüência crescente em virtude do mal-estar alojado e da falta de compreensão acerca da síndrome. Os conflitos podem surgir e avoluma-se no processo bola-de-neve. A pouca consciência a respeito da SCH provoca a discórdia entre o casal, atingindo quem estiver por perto nesta convivência, via de regra, os filhos. Lembranças e cobranças de como a vida conjugal era boa anteriormente são lançadas no calor das discussões. Isto faz aquecer ainda mais o desentendimento. Esta é uma situação estressante para o casal, podendo levar os seus envolvidos à depressão e outros males. E, carrega a possibilidade de desencadear a separação. São duas polaridades se confrontando. De um lado, a ausência de vínculo, a vida isolada. De outro, a força presente da relação a dois. Os compromissos da união "pressionam" o contato mais íntimo da esfera afetiva. Caso ela não exista, torna-se um problema permanente.
Este comportamento de hospedagem reflete o quanto o seu portador, inconscientemente, procura manter distância afetiva do outro para que não haja envolvimento. Caso ocorra uma separação, desta forma, evitar-se-á o sofrimento de uma provável desvinculação. A despedida neste tipo de relacionamento demanda apenas a retirada de bagagens.
Por se tratar de uma síndrome enraizada na formação vincular faz-se necessária uma avaliação diagnóstica. Além de indicar tratamento através de profissional especializado nas relações familiares. Este especialista ocupa-se em compreender as relações conjugais e também a formação do vínculo como peça fundamental nas mudanças terapêuticas necessárias. Na descrição de Gaudêncio (2003), a terapia é o melhor atalho para o autoconhecimento, gerador de crescimento. Em uma das fases da terapia de casal, o cuidado está no vínculo, o qual permite uma continuidade na relação. Com os avanços possíveis os cônjuges podem estabelecer novo olhar sobre a relação, investindo energia na construção vincular.
O sofrimento causado pela Síndrome do Comportamento de Hospedagem modifica o foco energético dos investimentos psíquicos. Ou seja, ao invés das pessoas empregarem as energias e esforços no convívio, utilizam tais recursos na manutenção do isolamento. Soma-se a esta condição o desgaste ocasionado pelo conflito entre as polaridades (ausência vincular e a necessidade do elo afetivo), além dos resultados nefastos, colhidos após as discussões familiares. Há uma sensação de impotência e frustração perante os fatos, que ganham, cada vez mais, uma dimensão que sinaliza o triste fim da vida a dois.
Não raro, crê-se que a síndrome nasceu dentro do relacionamento. Todavia, ela, apenas, foi desencadeada durante o convívio. O seu portador não enxerga o problema já antigo, Brazelton (1988), Bee (1997), Bowlby (1990), Hoffman et al (1996), Winnicott (1993), Siqueira (2003), Adler (1937) e Maranata e Rezepka (1999). É possível comparar relações anteriores a atual e sentir que há algo semelhante nelas. Contudo, é insuficiente para entender e aceitar a síndrome e a sua demanda por tratamento. O jogo de culpa é apenas um instrumento para se defender, na tentativa de diminuir as péssimas sensações que ganham terreno no cotidiano. De nada adianta. Só aproxima o casal da separação.
Separar, por sua vez, traz de volta o estado de isolamento requerido pela síndrome. Porém, ao mesmo tempo, causa dor e sofrimento. O que se acreditou ser bom anteriormente enquanto manter uma gostosa e importante relação familiar transforma-se em um pesadelo aterrador com a ruim convivência e a separação.
Buscar ajuda especializada é o remédio para este mal. Crer numa solução de poucos recursos como o esperar o tempo como agente de mudanças é dar oportunidade para que se instale a piora da SCH. Uma boa avaliação psicológica pode dar novos rumos às vidas das pessoas que pretendem o convívio. Respeitando-se as individualidades e construindo relações afetivas, conforme Bowlby (1990), que sustentem os dissabores que a vida se encarrega de apresentar a todos, sem exceção.
Dialogar, e, entenda-se bem, conversar com o coração aberto, oferece uma primeira abertura para se compreender a vida do casal. Dar o primeiro passo pode modificar aquilo que já era considerado algo inevitável, como a separação.Empreender esta tarefa não é simples. Requer coragem e vontade para mudar. Aceitar os problemas e lutar para transformar o prejudicial em saudável. Há uma necessidade de crescimento por parte das pessoas envolvidas. O grau de maturidade determinará o quanto se quer conviver bem. Ambas as partes devem estar dispostas e comprometidas em participar deste processo, apoiando-se.
É preciso administrar os problemas existentes dando lugar ao desenvolvimento qualitativo de vida. Isto se dá de dentro para fora. Leva tempo, entretanto, deve-se considerar que os resultados, conforme a vontade empregada no processo, trarão maior liberdade para viver, individualmente e de forma conjunta. A Síndrome do Comportamento de Hospedagem nos prende a circunstâncias de isolamento, contrariando e causando dor diante dos nossos desejos de vida familiar. Cuidar da questão, alterando o comportamento de hospedagem para o de comprometimento afetivo em conjunto permite existir a unidade fundamental das relações conjugais: a dependência equilibrada e necessária do vínculo. Vale a pena lutar com vontade, ajuda e conhecimento.

*Armando Correa de Siqueira Neto é psicólogo e psicoterapeuta. Desenvolve treinamentos organizacionais e palestras com Psicologia Preventiva e eventos educacionais

AFETIVIDADE


Vínculo Afetivo O vínculo afetivo descrito por Brazelton (1988) tem início na gestação. É um processo continuo através das interações que vão ocorrendo posteriormente.Bee (1997) relata que o contato imediato após o parto parece aprofundar a capacidade de a mãe (e talvez também do pai) responder em relação ao bebê. Alguns psicólogos acreditam que a capacidade de formação de vínculo social é resultado da maturação e que deve ocorrer algum relacionamento logo no início da vida da criança se quiser que esta seja capaz de, mais tarde, formar vínculos significativos. Estudos de Bowlby (1990) e Hoffman, Paris e Hall (1996) sobre o vínculo entre mãe e filho ressaltam a importância desta dinâmica afetiva. Eles descrevem que essa ligação faz parte de um sistema comportamental cuja serventia esta ligada à preservação da espécie. Tal relação se deve ao fato de os bebês serem indefesos e incapazes de sobreviver sozinhos. Então, o apego entre o bebê e o seu cuidador viabiliza uma garantia a esta proteção e preservação.Através da experiência de uma criança que recebe apoio e cooperação de sua mãe e também do pai, é capaz de gerar nela a crença na utilidade dos outros. Tal fato favorece um modelo para formar relacionamentos futuros. A forma pela qual a pessoa reage aos mais variados eventos da vida, tais como as rejeições, perdas e separações, depende da forma como foi estruturada a sua personalidade (Bowlby, 1990). Recentemente, vemos um número cada vez maior de filhos sendo criados com pouca presença da mãe e/ou do pai, e ainda, na ausência total deles. O fato de uma criança não ser criada por pais biológicos, não implica, exatamente, em problemas psíquicos posteriores, considerando-se o suprimento básico de suas necessidades. Entretanto, a questão central é o vínculo afetivo. O que tem se tornado ausente durante a estruturação da personalidade infantil é uma relação que possibilite maior vinculação de pessoa a pessoa. Contatos superficiais onde a preocupação localiza-se em prover a criança com alimentos, moradia e escola são insuficientes. E, ainda, relacionamentos onde existam muitas mudanças geográficas e/ou trocas constantes de cuidadores dificultam a formação do vínculo. Segundo Winnicott (1993), a atenção que as mães têm para se dedicar a seus filhos, atendendo às suas necessidades de alimentação, higiene, carinho ou o simples contato, gera condições necessárias para que se produza o sentimento de unidade entre duas pessoas. É relevante incluir que na formação vincular faz-se necessário o ato de tocar a criança. Conforme as conclusões de Siqueira (2003), "(...) tocar carrega em si numerosos benefícios em forma de estímulos que geram um melhor desenvolvimento físico, emocional e social, potencialmente gerador de uma personalidade terna e amável no adulto posteriormente". Encontramos em Adler (1937) a afirmação de que todas as pessoas constroem o desejo de possuir provedores que atendam às suas necessidades e carências que a vida impõem. Na figura de quem provê, a criança formará a medida de sua saúde mental futura.
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INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA

Infância e AdolescênciaA adolescência é um período de profundas mudanças internas e externas do organismo global, física e mentalmente. É também a idade predileta para a eclosão da maioria dos transtornos emocionais. Entre os transtornos emocionais da adolescência o mais temido é a psicose, tanto por sua gravidade e impacto que produz no entorno do paciente, quanto pelo prognóstico e necessidade de tratamento imediato.Assim sendo, na adolescência, mais que em qualquer outro período da vida, o médico deve se esforçar, sobremaneira, para estabelecer diagnósticos e prognósticos, com especial zelo para a Esquizofrenia, pois, como sabemos, esta é a idade preferida para o início desse transtorno. Ainda assim, não devemos deixar de suspeitar dos Transtornos do Humor, os quais também aparecem nesta idade e com características bastante enganosas.A Classificação Francesa dos Transtornos Mentais da Criança e do Adolescente (CFTMEA), considera separadamente o Transtorno Psicótico da Criança e do Adolescente, ao contrário das classificações internacionais de doenças (CID.10 e DSM IV) que não têm uma categoria específica para esses transtornos.A classificação francesa considera que, devido ao fato dos sintomas psicóticos que aparecem na infância e na adolescência comportarem características específicas e diferentes dos mesmos quadros em adultos, justificaria uma consideração e uma classificação em separado.Uma das principais preocupações dos psiquiatras de crianças e adolescentes é, sem dúvida, a psicose. O máximo cuidado para o diagnóstico se reforça, primeiro, evidentemente, na importância do tratamento precoce para alívio do paciente e de seus familiares e, em segundo, devido ao risco de evolução incapacitante da doença, cujo momento de maior perigo para seqüelas invalidantes se situa nos dois primeiros anos da psicose.Além de tudo, considerando a grande especificidade atual dos medicamentos psiquiátricos, há uma imperiosa necessidade de bons conhecimentos sobre o quadro do Transtorno do Humor Grave com Sintomas Psicóticos e suas diferenças com a Psicose Esquizofrênica, já que existem significativas diferenças de prognóstico e de tratamento entre essas duas patologias. Finalmente, todo esse cuidado é mais do que justo, se considerarmos os efeitos potencialmente iatrogênicos de um diagnóstico errado sobre algum transtorno psiquiátrico crônico, diagnóstico esse capaz de modificar profundamente a relação do paciente consigo mesmo e com os demais, além das atitudes negativas por parte de seu entorno familiar e social. ............................
Adolescência e PuberdadeCrianças e adolescentes já não são mais os mesmos. Eles participam avidamente do mundo dos adultos e se transformam nos novos convidados da realidade orgástica do consumo e dos prazeres. As crianças, tendo nascido no seio de uma família e considerados como "pertencendo" a esta família, encontram-se, paradoxalmente, cada vez mais solitários e à mercê de seus pares da rua, da escola e do apelo cultural para que se tornem, rapidamente, adultos esbeltos, ricos, formosos, na moda e plenamente sexualizados. Isso tudo acontece enquanto seus pais se ocupam diuturnamente com suas próprias vidas, se preocupam em ganhar dinheiro, em sobreviver, em não perder tempo. De todas as reflexões e estudos sobre infância e adolescência, se alguma coisa pode ser mais ou menos consensual é que, crescentemente, as crianças estão mais sozinhas ou mais na convivência com seus pares da rua do que no seio de suas famílias. O pai, a mãe, ou qualquer outra figura de ligação familiar está se tornando rarefeita.Dentro de sua casa, mas distante do convívio doméstico e familiar, o adolescente ou a criança está solitariamente assistindo à tevê, na internet ou está fora de casa, em bandos perambulando pelas ruas, nos shoppings, nos lugares de lazer. Por outro lado, parece razoável atenuar o peso atribuído à hegemonia da televisão, tendo em mente a redução das oportunidades de convivência e brincadeiras ao ar livre. Isso porque os espaços livres das ruas, antes utilizados pelas crianças e adolescentes para brincadeiras, já não estão mais disponíveis, estão intensamente habitados por carros, prédios, marginais, ladrões. A rua perdeu seu lugar de expressão coletiva dos jogos e das brincadeiras. Há muitas tentativas de se definir adolescência, embora nem todas as sociedades possuam este conceito. Cada cultura possui um conceito de adolescência, baseando-se sempre nas diferentes idades para definir este período. No Brasil o Estatuto da Criança e do Adolescente define esta fase como característica dos 13 aos 18 anos de idade. A puberdade tem um aspecto biológico e universal, caracterizada que é pelas modificações visíveis, como por exemplo, o crescimento de pêlos pubianos, auxiliares ou torácicos, o aumento da massa corporal, desenvolvimento das mamas, evolução do pênis, menstruação, etc. Estas mudanças físicas costumam caracterizar a puberdade, que neste caso seria um ato biológico ou da natureza.

domingo, 26 de outubro de 2008

INVEJA LIVRE-SE DELA

Escrita por Maria Silvia Orlovas
Quantas amizades e relacionamentos se perdem por conta da inveja... Já li muitas definições de inveja. Algumas bastante interessantes que me levaram a várias idéias e pensamentos, mas o mais importante da inveja é mesmo se livrar dela.Todos nós temos coisas boas e coisas ruins, mas quando alguém nos inveja parece que só vê as coisas boas que conquistamos não levando em conta o sofrimento nem mesmo tendo consciência de que lutamos para conquistar coisas e até mesmo a estabilidade em nossos relacionamentos afetivos. Poderíamos passar esse artigo inteiro falando do mal que a inveja nos faz e nos terríveis erros que o invejoso provoca em nós e nele mesmo. Mas acho que dentro da visão espiritual precisamos sempre expandir a mente e tentar compreender em profundidade certas situações e, dentro do possível, mudar esse tipo de sentimento dentro de nós. Porque, meu amigo leitor, gostando ou não, devemos admitir que todos nós já sentimos inveja de alguém ou de alguma coisa, afinal, não somos santos.Tenho certeza que gente boa e honesta como eu e você não queremos sentir inveja, inclusive já sabemos que é muito importante vibrar pelo bem das pessoas porque se agimos assim a vida irá abrir as portas para o bem em nossa vida. Mas, na prática, quando vemos uma amiga usando uma roupa linda podemos cometer o deslize e achá-la linda demais e até desejá-la mais do que deveríamos... Estou procurando dar exemplos simples para ser suave nas minhas palavras, mas quantas são as pessoas que olham um casal que se ama e sente inveja porque a sua vida intima é ou está uma droga?Marta era assim como a maioria das pessoas. Alguém de bons princípios e com muito desejo de crescer e ter prosperidade e um amor... Muito esforçada, trabalhava num banco e ainda por cima assumia o compromisso de ajudar em casa. Uma vida sofrida onde ela aprendeu que tinha que ser guerreira, combativa e ambiciosa para sobreviver no meio corporativo. Mas, justamente por conta desses sentimentos turbulentos dentro dela, sua vida profissional estava um horror. Sem amigos, amigas ou namorado estava estressando em sua casa e se sentindo um lixo...
O que fez com que ela, antes mais confiante e amorosa, se transformasse sem perceber numa pessoa invejosa da felicidade dos outros porque estava sofrendo muito e, por conta disso, se via muito sozinha e infeliz...Vamos dizer que felicidade trouxe mais infelicidade. Assim, ela olhava para o mundo à sua volta e imaginava que todo mundo tinha uma vida mais feliz e mais fácil que a dela. Isso gerava ainda mais força de combate para seus desejos darem certo... E nada dava certo por isso ela veio me procurar.
“Porque nada dá certo? Será alguma coisa de Vidas Passadas?” Perguntou ela, realmente desejando abrir o coração. Expliquei que muitas vezes as respostas que encontramos no passado fazem que a gente veja atitudes erradas que tivemos e não soubemos entender e mudar, mas, claro, as respostas ajudam na mudança...Em Vidas Passadas, Marta tinha se apaixonado pelo marido da irmã. Como tinha um defeito físico, não se casara e fora morar com o casal quando a mãe morreu. O rapaz também sentiu algo por ela e, assim, ela passou a odiar a irmã... Tudo invertido, sofrido e negativo.
Nesta vida, o amor não fluía para ela que continuava se sentindo uma pessoa sem valor. Tinha atraído apenas homens casados porque se sentia pouco merecedora do amor e, ainda que ajudasse a família, tinha muita mágoa da sua vida não caminhar.
Recomendei que ela fizesse cursos sobre a vida espiritual e tentasse compreender que a vida de todas as pessoas é cheia de altos e baixos, que não é somente ela que sofre.Ela convivia com as pessoas, mas não trocava profundamente com ninguém. Assim, via a vida dos outros apenas na superfície e tudo parecia bonito, cheio de amor, pleno de realizações. Expliquei coisas básicas que ela e muita gente deixa escapar quando se torna autocentrado. Quando a pessoa se fecha no sofrimento, deixa de ver que os outros também sofrem, tem desafios, perdas e que cada um reage aos fatos da vida de forma diferente e que no convívio social ninguém fica falando o que sente no fundo do coração... E que, justamente por ficarmos no social, invejamos os outros...Se as pessoas soubessem das vidas umas das outras, a inveja deixaria de existir...

DIFERENÇA ENTRE CASA E LAR

Casa & lar:: Escrita por Saul Brandalise Jr.
Descobri depois de muito tempo que existe uma significativa diferença entre CASA & LAR. Fiquei anos perambulando por casas e, por mais que insistisse, não conseguia nelas construir o meu LAR.Casa é lugar para a gente morar. Lar é o espaço que existe para a gente viver, desfrutar e construir a energia que vai gerar a nossa vida. Durante 14 anos morei em Curitiba, São Paulo, Francisco Beltrão, Cascavel, Toledo, Santa Helena, Santa Maria, Florianópolis (entre um apartamento e duas casas), Uberlândia, Uberaba, Peirópolis, Zimbros, Videira e finalmente retornei a Florianópolis.Sinceramente, agora, olhando para trás, consigo perceber a diferença e fica muito claro para mim que em bem poucos lugares consegui construir um LAR, desfrutá-lo e nele viver.Não acho interessante me ater ao passado, porque descobri que na maioria das vezes ele é um FARDO PESADO para ser carregado. Conheço pessoas que vivem nele. São ácidas, amargas e depressivas. A vida é presente e um pouco de futuro. Quem não tem ambição vegeta e não sabe. Quem não sonha e tem ambições também vegeta.É equivocado acharmos que a Vida é energia. Para se ter vida é preciso primeiro que exista a energia.Acordar como se todo dia fosse domingo é para pessoas sem Energia. Passar a semana esperando pela balada do sábado é para pessoas que ainda não se encontraram nesta vida. Elas não sabem, ainda, a diferença entre Casa e Lar...- Numa casa moram os problemas. Num lar as soluções.- Numa casa moram os conflitos. Num lar as alegrias.- Numa casa afloram as desavenças. Num lar a camaradagem.- Numa casa fala-se mal dos vizinhos. Num lar apontamos-lhes as virtudes.- Numa casa “suporto o gênio” de quem divide o teto comigo. Num lar amo cada ser que ali vive da maneira como ele é..- Numa Casa quero que as pessoas se adaptem aos meus caprichos. Em um lar as pessoas se aceitam como são e juntos dividem a felicidade.Fácil viver num lar? Até é, se a gente souber se posicionar e ter a sabedoria de entender que a vida é uma troca de experiências e que o que não gosto no outro preciso aprender a aceitar e assim evoluir. No lar precisamos usar as desavenças e os conflitos como combustíveis de nosso crescimento pessoal. Ninguém que olha para a mesma direção vê e sente a mesma coisa. Somos singulares em nossa evolução.Para construirmos um lar precisamos ter consciência de que nós escolhemos viver na família em que vivemos. Ela permite resgates karmicos. O Universo é sábio. Nada é por um acaso. Não canso de repetir isso para que todos nós prestemos atenção a esta regra.Se o local onde você vive é uma casa... Tome atitudes. Uma encarnação é um estagio importante para a nossa evolução. Ela não pode ser desperdiçada. Mude. Vá à luta. Não se entregue à depressão. Ela é a ferramenta dos cansados e desleixados em fé.Tenha fé, construa sua vida com pensamentos claros, lúcidos e jamais desista de seus sonhos. Por mais insignificantes que pareçam aos outros, são importantes a você. O que os outros pensam sobre suas verdades é problema deles. Cabe a você saber o que te faz realmente feliz.Construa seu LAR a partir de suas verdades, ou seu corpo físico será uma casa onde habita um derrotado e, o que é pior, um derrotado doente.Sei que nos veremosBeijo na alma